Noivas sustentáveis

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Looks para noivas com atitude e consciência ambiental (Fotos: Nilson Domingos/divulgação)

Para quem se preocupa em começar a vida conjugal com sustentabilidade, o vestido de casamento pode ser o início de tudo! Aliás, se tem algo que as noivas tradicionais não costumam ser é sustentáveis.

Gasta-se e se esbanja muito na festa. Quanto mais especial, diferente, exclusivo e, não raro, luxuoso, melhor! Como diz uma prima cearense, “o povo só falta vender a alma para fazer uma festa”. Se a preservação das finanças sai do controle, imagine se a do meio ambiente entra no planejamento do grande dia!

Foi justamente com foco na relação entre sustentabilidade e moda que a estilista mineira Iáskara Isadora desenvolveu uma coleção de vestidos de noiva totalmente eco friendly: confeccionados com sacos de cimento!

O que parece tosco, rústico, sujo, impensável no corpo da noiva vira renda em trama de flores, raízes e formas geométricas nas mãos da jovem criadora, de 28 anos. Depois de processado, o papel se transforma em uma pasta, como confeito de bolo, e aí então é desenhada manualmente por Iáskara. A matéria-prima inclui ainda fibra de taquaruçu (tipo de bambu) e de bananeira para auxiliar na resistência.

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Detalhe do bordado feito com sementes

A renda é aplicada sobre uma base de tule, pode levar bordados feitos com sementes, e o tingimento, claro, é natural, extraído de minerais ou vegetais.

A transparência existe apenas nessas peças mais conceituais, feitas especialmente para o editorial; os vestidos à venda levam um forro de cetim ou crepe.

Macacao 3 Iaskara

Macacão ousado da noiva sustentável; a voilette de tule pode ser feita com saco de embalagem de alho ou de pernil

O look não é para qualquer noiva. Exige atitude, personalidade marcante e ligação com o tema da sustentabilidade, que se aplica tanto à ecologia quanto às relações interpessoais, à economia, às finanças e, claro, ao casório!

“Não tive ainda noiva de papel”, conta Iáskara. Mas ela teve uma cliente que subiu no altar em look sustentável: a mãe de um noivo. Gostou tanto que vai encomendar para o final do ano um segundo modelo para o casamento de outro filho!

O segundo modelo vendido foi para uma jovem usar na sua formatura. Fez sucesso! Tanto que ela já avisou a séria intenção em casar dentro de um vestido de papel. “Mas vai demorar um pouco”, diz a estilista, que também trabalha com modelos de tecido, exclusivos para noivas tradicionais.

Instalação de 1998, de Hilal Sami Hilal no Museu Ferroviário, Vitória, que usa uma pasta de fibra de algodão vinda de roupas velhas

Obra de Hilal Sami Hilal, que usa uma pasta de fibra de algodão vinda de roupas velhas e cuja técnica inspirou a estilista (Foto: Hilal Sami Hilal)

A inspiração da técnica da renda de papel veio do belo trabalho do artista plástico capixaba Hilal Sami Hilal, que a estilista conheceu quando pesquisava sustentabilidade e moda para o seu trabalho de conclusão do curso (TCC) de design de moda na Universidade Federal de Minas Gerais.

Ela acabou criando uma coleção totalmente experimental, mas que deu certo. Investiu numa linha comercial e, no ano passado, lançou a coleção de modelos sustentáveis para noivas e festas em geral.

A manutenção dessa roupa, claro, é diferenciada. Ainda não pode ser lavada, mas não desmancha fácil se cair água. Onde suja, dá para limpar e até passar o ferro – sim, porque papel amassa!

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Modelo trapézio integra a coleção sustentável

Por que a escolha do saco de cimento? É um papel mais resistente e um material pouco reutilizado, diz Iáskara, que obtém a matéria-prima pelos canteiros de obra da cidade. O restante ela também garimpa in loco, na natureza, como as sementes usadas nos bordados e os pigmentos, extraídos de casca de jabuticaba (dá um lilázinho ou rosa lindo), açafrão, folha de manga, eucalipto, flor de hibisco…

A matéria-prima da charmosa voilette (véu que cobre o rosto, parte dele ou apenas um detalhe de véu envolvendo uma pequena parte da cabeça) é disponível na cozinha: Iáskara reutiliza aquele saco de alho, que é uma telinha roxa, ou a branca que envolve o pernil.

A produção das peças, megatrabalhosa, leva de cinco a seis meses, e os preços são a partir de R$ 3 mil. Quer saber mais? Aqui.

 

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