Para pimpolhos enfrentarem o mau tempo em casa

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Páginas do belo livro infantil “Lá e Aqui”, que aborda os momentos de tormenta de uma separação; obra poética e também alto-astral (Fotos: divulgação)

“Ou a gente separa ou a gente faz um livro!”, disse o marido para a mulher. Por sorte, o casal, uma dupla talentosa de autores, ficou com a segunda opção, e nasceu uma pequena obra-prima sobre o espinhoso tema da separação sob o ponto de vista da criança.

“Lá e Aqui”, uma edição impecável da editora Pequena Zahar, acaba de receber o Prêmio Jabuti 2016, o mais importante da literatura brasileira, como o segundo melhor livro infantil. Os autores: Carolina Moreyra e Odilon Moraes, um colecionador de prêmios, entre eles dois Jabutis de melhor ilustração.

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Da Pequena Zahar, o livro custa R$ 44,90

Minimalista, o pequeno livro tem poucas palavras (inclusive, uma página em branco num momento de disrupção da rotina do pequeno narrador), que, em parceria com ilustrações simples e comoventes, sugerem um mundo de significado.

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Cena da obra poética e minimalista, que levou o segundo lugar do Prêmio Jabuti 2016 na categoria infantil

A casa de uma família (pai, mãe, filho, cachorros e muitas flores), alegre e iluminada, de repente é tomada por uma tempestade e começa a se afogar. A criança descreve o cenário: “Os peixinhos foram morar nos olhos úmidos da minha mãe. Os sapos levaram os ensopados pés de papai para longe”.

Com essa delicadeza e poesia, o casal navega pelos momentos sofridos que emergem de uma separação.

Mas uma hora a chuva para, e a água abaixa. E essa é a outra grandeza do livro: apontar para a criança, além de lembrar aos aturdidos pais, que as coisas sempre se ajeitam passada a tempestade. “Tem o momento muito difícil, mas cada um acha o seu caminho. O carinho do pai e o carinho da mãe continuam, mas em outra composição”, diz a autora.

A inspiração da história também surgiu depois de uma tormenta, uma briga da pesada do casal. Carolina até se questionou se ali não seria o fim do casamento e sobre como ficaria a vida dos três filhos – João, de 10 anos, Francisco, 7, e Luísa, 5. Nesse momento, ela sentou e, de uma tacada, escreveu o texto. Mostrou para Odilon, com quem assina outro título premiado (“O Guarda-chuva do Vovô”), e foi quando ele soltou a frase lapidar: “Ou a gente separa ou faz um livro”. (rs)

Experiência no assunto casa-descasa Carolina tem, digamos, no DNA. Numa época em que era impensável mulher não constituir família, a bisavó se negou a juntar as escovas duas vezes, com o pai do primeiro filho e depois com o pai do segundo.

Já a avó fez o caminho contrário: casou duas vezes, que por sua vez foi “superada” pela mãe de Carolina, que casou três vezes. Na família de Odilon, a situação é o inverso: divórcio passa longe.

O livro não foi construído de caso pensado. “Foi mais emotivo, escrevi de uma vez só pela vontade de expressar um sentimento.” Os leitores têm agradecido, pais em processo de fim de casamento que lêem e, depois de assimilada a ideia do que vêm pela frente, repassam para os pequenos.

Menos poético, mas igualmente S.O.S, é a reportagem “O casamento acabou! Dizer o que para os pimpolhos?”, com belas dicas da psicóloga Rosely Sayão especialmente para o Casar, descasar, recasar.

Navegue por algumas páginas do livro aqui

http://issuu.com/editorazahar/docs/trecho_laeaqui?e=2659039/11342130

 

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